O que é preciso pra fazer um dia feliz?
Ele andava sem rumo. Os pensamentos fervilhavam em sua cabeça já repleta de sonhos. Ele procurava o vento. Ele procurava o frio; gostava do frio. Melhor do que isso, ele procurava o vento frio. este último, o frio, expandia tudo o que ele sentia. Maximizava o que lhe abatia, e, dessa maneira, ficava tudo mais visível. E então vinha o vento e fazia o seu papel: levar tudo isso embora. Para o mais distante possível, ou o mais perto possível, desde que levasse. Desde que esvaziasse . Desde que tornasse verdadeiro o vazio que o preenchia.
O frio lhe causava arrepios. Arrepios são bons, pensava ele. São únicos. Outra vez ele pisou em uma formiga. E aquilo lhe causou um arrepio. Fora tão repentino e tão assustadoramente bom. Contudo, continuava viva, a formiga. Estrebuchava-se de dor, mas ainda viva. Tão pequenina, coitada. A dor transcendia seu corpinho seco. E aquele debater-se causou no menino outro arrepio. Dessa vez, mais intenso, mais frio. Ele tinha descoberto pois, a maravilha de um calafrio. Tinha descoberto toda a bondade de um arrepio frio. E a partir de então, pisava em formigas. Não queria as suas mortes, por isso, pisava de levinho. Pisava-nas com carinho. Ele só queria o melhor que elas podiam lhe dar. Ele só queria os seus calafrios. Seriam os calafrios as almas das formigas? Ou só seriam suas dores que transcendiam a secura suja de seus corpos. Pisava em cada uma que encontrava, mas estas pareciam mais fortes, pareciam nem sentir dor. Debatiam-se? Sim; até mais do que as outras, mas o arrepio não vinha. A dor não parecia ser suficiente.
E nunca mais ele sentiu um arrepio. Nunca mais até apaixonar-se por alguém. Apaixonar-se de tal maneira...E ver a distância desse amor lhe causava tanta dor. Uma dor capaz de transcender seu corpo e... e então veio o calafrio. O mais intenso e magnífico calafrio. E ele sorriu. Seu dia seria então feliz!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Viver é deixar.
Todos encaram o passado como uma fonte de dor ou de alegria, os dois, talvez. Eu não sou muito diferente. Apesar de ter vivido pouco, vivi o suficiente pra olhar pro passado e sorrir, ou mesmo sentir essa dor que às vezes me preenche e me faz ser tão assim. Fria, distante de mim.
Nem todo sorriso é feliz, nem toda lágrima é triste, mas do que adianta sorrir de tristeza? Não ajuda, não acaba. Sente a dor? Sente essa agonia por dentro, essa vontade de arrancar o que dói? Mas você não sabe o que dói. Não sabe por que dói. Aliás, não devia nem doer com tanto vazio que existe. E você não luta contra isso, não luta contra o vazio, só o aumenta. Com frases, com lembranças, pedaços de músicas... Passado. Não se cansa de viver dele? Às vezes eu me canso, me desvio, me protejo. Se não, o que seria de mim? Pense. O que é de você?
A tristeza é bela, a dor é fascinante, mas a felicidade ainda tem seus melhores prazeres.
Nem todo sorriso é feliz, nem toda lágrima é triste, mas do que adianta sorrir de tristeza? Não ajuda, não acaba. Sente a dor? Sente essa agonia por dentro, essa vontade de arrancar o que dói? Mas você não sabe o que dói. Não sabe por que dói. Aliás, não devia nem doer com tanto vazio que existe. E você não luta contra isso, não luta contra o vazio, só o aumenta. Com frases, com lembranças, pedaços de músicas... Passado. Não se cansa de viver dele? Às vezes eu me canso, me desvio, me protejo. Se não, o que seria de mim? Pense. O que é de você?
A tristeza é bela, a dor é fascinante, mas a felicidade ainda tem seus melhores prazeres.
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