sábado, 4 de dezembro de 2010

The last paper I'm wasting on you

Então porque você não me deixa te amar de vez? Não aguento mais esse teu olhar choroso, pedinte de carinho enquanto eu, aqui, transbordo amor pra dar. E todo esse amor não é pra mais ninguém senão a ti. Mas e daí? Quem se importa, não é mesmo? Sou só mais um alguém procurando a tão sonhada reciprocidade. E você, com a voz da decisão, fica aí se escondendo sabe-se lá do quê enquanto todos sabem o que você quer. Enquanto nós dois sabemos o que você quer. Afinal, você tem certeza do que quer?

Eu só queria poder dizer com a mesma liberdade e naturalidade com que se dá oi, eu te amo. Agora responda-me, estou pedindo tanto assim? É tão duro assim dar o braço a torcer e aceitar? Afinal, é isso o que você também quer, não é? Não é?! Porque não poupa as minhas lágrimas e me abraça de vez? Porque não poupa minhas feridas e me beija como nunca mais fará na vida? Porque simplesmente não me ama?

Quer saber? Não importa. Ou melhor, não se importe você. Sou apenas eu. E eu não sinto nada muito mais forte do que amor. Simples, puro, cadente e magnífico amor. Mas ainda bem que ele rima com dor; me fará escrever  mais e melhor  da próxima vez.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Último Romântico

Ei, escuta
Já é hora, ouve
Ouve o silêncio
É agora.

Os lábios ainda estavam selados. Não havia um pingo de movimento na cena. Fixos. Até o tempo receava em se mover. Ambos era pura tensão. Um nervoso frio e rápido lhe subiu pela espinha e uma tentativa frustrada de fala foi abafada. A sua frente, um olhar de espectativa se criara. Só esperava as palavras. Mal sabia, porém, que aquele não era momento para palavras

Traduza meu olhar
Ele fala por mim, vamos, traduza
Veja o que eu tento lhe dizer
O que há tanto tempo eu tento lhe dizer

Era como se seus olhos gritassem exasperados. Aja, aja, aja! Estou aqui, por fim, aja! Contudo, nada acontecia. Ou melhor, muita coisa acontecia: as duas cabeças fervilhavam. Idéias, dúvidas, vontades, receios, planos. Estavam tão perto. Bastava um meio passo. O meio passo que os separava. Um meio penhasco os separava. Então, os olhares que fixos se cruzavam desde o início, se desviaram. E dessa forma, o outro lado do penhasco deu as costas. Então não havia mais penhasco. Eu te amo! Ditas em alto e bom som, as palavras causaram certo arrepio. E então não havia mais selo nos lábios.

Ouviu o silêncio?
Eu avisei, eu avisei. Agora ele já passou
Agora vê. Vamos, veja
É assim que começam as histórias de amor