Fazia algum tempo desde a vez que a vi passar por aquela rua. Frienta, retraída em seus braços finos, com um casaco que não cobria nada. Ela me olhou e me reconheceu de outros olhares, de outros encontros por esta mesma rua. Não falei nada, como de costume, mas percebi que ela tinha um olhar vazio, como se dissesse “Vêm, me proteja, agora. Por favor...”
Reparei no seu corpo esguio, no seu caminhar latente, nas suas bochechas róseas devido ao frio. Quase pude sentir a dor que a roia por dentro que lhe rasgava as entranhas. Até me arrepiei. E ela continuou caminhando, de cabeça erguida, como se isso pudesse lhe salvar, diminuir o que estava sentindo.
Deu vontade de pará-la, de acomodá-la em meu peito, entre meus braços e dizer que tudo iria ficar bem que agora eu a protegeria, aqueceria. Mas não o fiz. Deixei-a ir como se não me afetasse, como se me bastasse toda essa distância pequena que existia entre nós. Como se este sentimento sem palavras que foi crescendo em meu peito fosse impuro diante daquela beleza e fragilidade exorbitantes.
Alguém a salvaria quando sua própria dor não o cegasse diante da dor dos outros.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Feliz Aniversário
"E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio"
Há uma semana eu já vinha me alertando da dificuldade desta tarefa. Eu já sabia o quão árdua seria desde que me propus a fazê-la e numa condição de definitivamente não poder adiá-la por ainda mais tempo, estou aqui escrevendo e digladiando-me com minha razão, que ainda insiste em ser contrária a tudo isso. Acontece que há muito os meus suspiros são direcionados a uma única pessoa; e que eu já me cansei de ficar suspirando pela penumbra de seus movimentos e de não poder protagonizar nada mais daquilo que insiste em acompanhar cada um dos meus sonhos. Pra ser mais claro, eu estou perdido e completamente apaixonado por cada defeito seu que eu ainda nem encontrei, afinal, como diz uma poesia que eu duramente tento decorar, "cego ando eu há muito por te amar".
Devo confessar que, com uma certa ajuda da distância, por um determinado tempo eu consegui esquecer uma parte de tudo isso, mas que bastaram algumas notas cantadas na companhia de um violão pra que eu trouxesse à tona tudo o que por uns dois meses eu acreditei ter esquecido. Doce ilusão, já que estou aqui de novo ouvindo músicas que me fazem lembrar você e escrevendo o que era pra ser desde o início um texto de feliz aniversário; mas parece que eu falhei neste último. O único problema de toda essa história é que eu não sei o que esperar como resposta. Quer dizer, não sei nem se devo esperar alguma coisa como resposta, afinal, tenho medo de que minha mente, sempre muito criativa, tenha apenas me implantado algumas várias impressões de você que no final das contas não são reais e então eu me pergunto: "o que fazer?" O que fazer se de repente você simplesmente me ignorar pelo resto da nossa inevitável convivência? Se você me disser que não tem como fazer nada por mim e me pedir pra esquecer - sem saber que isso eu já tentei fazer por uma centena de vezes? O que fazer se por fim você me olhar, der aquele seu meio sorriso que tanto me fez suspirar, segurar minha mão e disser que não via a hora de eu abrir o jogo pra poder finalmente me dar um abraço como aquele com que eu tanto sonhei?
Bom, quanto a esta última, basta-me dormir pra conseguir a resposta.
"E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo"
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