terça-feira, 25 de novembro de 2014

A mulher do imperador

E quando de repente você decepciona a pessoa que mais importa pra você, como lidar? Como reagir? O que sentir? Quando sem querer, sem se achar culpado, sem perceber que fez mal, você magoa a pessoa que você ama. O que pensar? O que fazer?

Essas são as perguntas que passam pela minha cabeça agora e que ao que me parece ficarão sem resposta por um tempo: talvez horas, talvez dias. No meu relógio: séculos. Eu só sinto o afastamento. Nas coisas mais pequenas e pra muitos imperceptíveis, mas não pra mim. Cada movimento, é percebido. E cada um deles corta tão fundo que é difícil suportar. É difícil parecer bem, principalmente quando essa é a minha principal tarefa sempre: parecer bem!


O que acontece é que eu falhei. Falhei e consigo perceber isso agora. Falhei pra essa sua exigência. Reagi e me comportei de uma forma diferente da que você esperava e então, bum!, o incêndio começou e eu tentei correr pra apagar. Fiquei nervoso, espantado, desesperado, esperançoso, injustiçado. Me machuquei na tentativa de apagar tudo, devo ter te machucado também. Depois de toda a luta, não sei ainda se o fogo já se esvaiu por completo pois só consigo ver fumaça por agora. Uma fumaça bem escura, pesada e tóxica. O pior é que no fundo eu sei que independente de já ter se apagado ou não, de ter durado muito ou não, todo incêndio faz estragos. Maior ou menor, ele está sempre lá, o estrago. Feito, marcado, evidente e sádico.

Ontem, antes de dormir, tudo o que vinha na minha cabeça era um ditado que eu acho muito interessante. Ele diz assim: A mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta. Engraçado, não? Descobri que é uma frase muito usada em treinamentos de marketing, mas pra mim, o significado principal dela é que as pessoas sempre vão lhe julgar de alguma forma e que na maior parte das vezes esse julgamento é pelo que você aparenta ser ou ter ou fazer. E, da mesma forma que vale pras pessoas, isso se aplica também pras situações. Julgamos sempre o que nos parece ter acontecido de acordo com a nossa vivência e experiência de mundo, quase sempre não levando em conta o que os protagonistas do acontecimento pensavam no momento em questão. E então, você bate o martelo e, pior do que julgar, você condena! CORTEM A CABEÇA!!!, gritava a Rainha de Copas.

A minha sentença: sem mensagem de bom dia, boa noite, carinhos, ou qualquer tipo de comunicação e informação da sua parte para a minha. Bloqueio total. Gelo total. E então eu me pergunto se não seria melhor ter sido julgado pela rainha.

A mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta. Percebo que o que nós realmente somos, e o que nós realmente fazemos, apenas nós sabemos. O que os demais acham e pensam da gente, é como nós aparecemos para eles. É a propaganda que fazemos de nós mesmos para os demais e, pra muitos, isso já basta. O que parece ser é mais importante do que o que realmente é, principalmente se isso depende do quanto acreditam em você, afinal de contas, só você tem a verdade. Parece ser mais fácil acreditar no que eu acho de você do que acreditar no que você me diz de você.

Mas, e se pensarmos o contrário? E se a mulher de Cesar não fosse honesta, mas parecesse ser. Ou melhor, se eu não fosse honesto, mas parecesse ser? Seria melhor? Pros outros talvez? Pra você talvez? mim... jamais! Preciso ser honesto comigo também e acima de tudo. Agora eu entendo. E me desespero porque sei que ainda vou sofrer muito por ser, mas não parecer e eu espero de verdade que eu dê conta. Pelo menos estarei tranquilo comigo. Estarei sendo honesto comigo, como minha essência e com meus princípios - mesmo que quem eu ame não acredite muito nisso.

E que a fumaça suma logo! Preciso aferir os danos do incêndio.

E que sejam os menores possíveis. Meu coração é que estava dentro das chamas.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Give my heart a break

E lá estavam eles sentados. De longe, parecia paisagem. Completavam-se como aquele sol que se punha naquele rio azulado e calmo que tive o prazer de assistir outro dia. Serenos. Ao lado, discretamente seus dedos se entrelaçavam em um segurar de mãos que aflorava paixão. Não sei se paixão era exatamente o que aquele casal sentia naquele momento, mas, ali de longe, era o que eu queria que fosse. Pra falar a verdade, ali de longe eu queria tantas coisas. Talvez fosse verdade que aquelas mãos perfeitamente combinadas e revestidas de toda ternura do mundo era tudo o que eu mais desejava naquela hora. Bem como poderia ser também verdade que não fosse bem isso que eu precisasse. Mas pra falar a verdade mesmo, eu nunca consegui decidir de fato o que eu precisei. Sempre fui conseguindo, usufruindo, desejando, e, algumas vezes precisando, mas isso eu só descobria mesmo depois de já ter conseguido e no fim das contas, já não fazia mais diferença precisar ou não.

Será que eu preciso daquelas mãos? Não, não pode ser verdade. Por favor, que não seja verdade, eu me nego! Elas são tão puras e suaves e arrepiantes. Ali de longe, eu conseguia sentir a sensação do toque em minha mão. Então eu fui fechando os olhos de leve, projetando a minha mente para uma paisagem comum e senti, da forma mais involuntária que meu corpo pôde responder, minha mão se fechar em um movimento lento, desesperado e pedinte. Onde eu estava com a cabeça? Fiz largar o que quer que ela estivesse segurando e... santo deus, ela não estava segurando nada.

Eu tenho um engraçado costume de imaginar algumas coisas. Situações pitorescas, possibilidades remotas, coisas que jamais aconteceriam porque eram simplesmente viagens de minha mente inquieta. Devaneios, em suma. Preciso rir agora. É sério, eu preciso rir porque é a única forma que eu tenho de aliviar o meu desespero. Veja só se eu não acabo de me dar conta de que eu não só desejava aquelas mãos como nunca as terei. Isso é tão difícil de aceitar. Acabo de me golpear duplamente. Isso é completamente ridículo. Acabo de dar o braço a torcer ao meu desejo reprimido de fazer parte daquela cena que eu assistia de longe e, como se isso já não fosse massacre o suficiente pro meu ego, percebo que transcender esse meu desejo em um ato involuntário me levou à condição de que eu nunca terei aquilo que acabei de aceitar que desejo. Alguém, por favor, devolva o meu fôlego. Aliás, se não for pedir muito, poderias recuperar o meu coração que vai sendo levado junto com aquelas mãos que vão lá longe?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

I Don't Believe You

Apenas não olhe mais para mim. Se será fácil ou difícil, não me importa, mas não me olhe mais. É perturbador! É como se uma onda de gelo me invadisse o corpo e então me paralisa. Eu fico sem reações.
Eu me enganei. Não sei o que deveria dizer agora, mas o simples fato de ter errado mais uma vez não deixa a minha cabeça. Talvez eu deva pedir desculpas, afinal, tratava-se de você, por mais que disso você não soubesse – nem nunca saberá. Eu me enganei e agora estou sofrendo as conseqüências do meu erro. Mas sabe?, o pior de tudo é que eu poderia ter evitado. Eu fui avisado. Eu me avisei, eu me preveni, e pior... você me avisou. Mas tem horas que não há lugar para razão, não é mesmo? O problema é que é nessas horas que eu acabo me perdendo. E agora eu estou aqui, apertando os meus olhos encharcados de lágrimas para poder enxergar o que eu escrevo.
Mas afinal, o que eu escrevo? Para que ou quem, eu escrevo? Acho que eu tinha me esquecido do peso das minhas palavras. Durante todo esse tempo que você monopolizou a minha cabeça, eu me esqueci do poder que as palavras têm; logo eu que sempre as tive como companheiras fiéis. 

É tão suave o rolar de uma lágrima. 

Da primeira vez, eu senti frio. Frio e uma dúvida possessa. Agora, sem essa dúvida - e eu me sinto bem melhor assim - sinto frio, bocejo um sono que não quero dormir e peço profundamente que me chegue o final de semana. Assim, eu poderei respirar e sorrir, talvez, aquele mesmo sorriso de sempre: aparente e feliz.
Eu só não posso negar o quão foi bonito ver teus olhos brilharem e tua voz tremer com aquele certo medo de quem não sabe o que fazer. Aquele medo de primeiro dia de escola. Aquele medo de primeira paixão. E eu não sei como vai ser, afinal. Só não quero que você me peça para te olhar como sempre olhei antes, pois disso eu não serei capaz.

Outro dia ouvi dizer que é doce sabor das lágrimas. Mas que grande tolice! Até então elas só têm me mostrado seu lado amargo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pai.

A primeira palavra que tenho a te dizer é carinho, pai. Pois todas às vezes que precisei de atenção ou repreensão, foi isto o que recebi. Obrigada, pai. Ainda que sem todas as palavras necessárias, aprendi cada lição que me ensinou. Queria que me pudesse ver agora, pai. Perdi toda aquela postura de criança que conheceu. Eu não tenho mais esperanças, pai.  As coisas são como devem ser. Eu envelheci, pai. As rugas expressam o pranto que tiveram meus olhos. Perdi também o dom da crença, pai. Não acredito mais em anjos, nem mesmo nas pessoas. Tem um medo enorme aqui, pai. Perco noites de sono olhando para o escuro. Às vezes eu não quero mais fugir, pai. Fico tentando acreditar que sou forte e que tenho, sim, o direito de estar aqui, nesta vida. Sua proteção me faz falta, pai. Talvez com ela eu não tivesse me tornado tão frio. Eu amo você, pai. Todos os dias com a sua ausência são empurrados. São como alfinetes nas pontas dos dedos. Eu não queria chorar, pai. Mas te ver acabando com a sua vida, e a minha, foi devastador. Você pode me ouvir, pai? De todos, eu só queria aquele “tudo vai acabar bem” vindo de você. Eu sempre lhe acreditei, pai. Até quanto mentia, as palavras se transformavam em verdades inabaláveis. Você foi meu herói, pai. Ainda que parecendo – e sendo – o vilão na maioria das vezes. Desculpe bagunçar sua vida, pai. Sei que fui uma pessoa difícil. Não tenho mais ninguém, pai. Fui ficando sozinho no decorrer dos anos. Sinto tanto a sua falta, pai. Não vou a parques desde quando você me levou a um. Eu te perdôo, pai. Por não ter sido tão bom ou tão correto como esperei que fosse. Eu amo muito você, pai. E não importa o quão imperfeito foi nosso relacionamento pai e filho. Já é tarde, pai. Espero que a noite não seja tão longa e que a sua ausência não tome conta dos meus dias. Durma com os anjos, pai. Eles não existem, mas você ainda não sabe disso. Vou seguir em frente, pai. Carregarei todos os dias de mágoa e alegria na minha memória. Eu sempre te perdoei, pai...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Velha Infância

Foi a sensação mais doce que eu pude sentir nos últimos muitos anos. Foi como se não pudesse ter sido diferente; e com a naturalidade daquilo de que se tem certeza, eu me vi completar em mim o espaço que há tanto vem me atormentando por ser completado. E eu que pensei que fosse ser tão mais difícil - e pensando bem, seria se a tal última peça não se encaixasse tão perfeitamente no espaço à ela reservado. Eu me sentia tão seguro, que tinha a certeza de que nada que viesse a acontecer conseguiria desprender aquela peça do seu lugar e eu ficaria ali: completo e feliz.


E assim estive até me dar conta de que não estava tudo tão bem assim. Me sentia tão seguro que só consegui perceber que ela, a minha peça, não estava mais ali quando olhei para os lados e não encontrei mais o alvo do meu sorriso. Só pude perceber que eu havia perdido a minha tão preciosa peça quando eu tentava senti-la e tudo o que eu conseguia ter eram suas lembranças. Desde então eu me pego pensando - seja acordado, seja dormindo - em por onde andará o motivo da minha plenitude. Onde andará que não recebe o meu calor? Que não recebe meu carinho nem minha atenção? Onde andará que não recebe o meu amor? 


Tenho vivido, pois, assim: na esperança de um dia poder reencontrá-la e tê-la  unicamente para completar-me. Ate lá me desmancho às suas lembranças e à sua voz no telefone. E isso continua sendo a sensação mais doce que eu pude sentir nos últimos muitos anos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Vai passar.

Fazia algum tempo desde a vez que a vi passar por aquela rua. Frienta, retraída em seus braços finos, com um casaco que não cobria nada. Ela me olhou e me reconheceu de outros olhares, de outros encontros por esta mesma rua. Não falei nada, como de costume, mas percebi que ela tinha um olhar vazio, como se dissesse “Vêm, me proteja, agora. Por favor...”
Reparei no seu corpo esguio, no seu caminhar latente, nas suas bochechas róseas devido ao frio. Quase pude sentir a dor que a roia por dentro que lhe rasgava as entranhas. Até me arrepiei. E ela continuou caminhando, de cabeça erguida, como se isso pudesse lhe salvar, diminuir o que estava sentindo.
Deu vontade de pará-la, de acomodá-la em meu peito, entre meus braços e dizer que tudo iria ficar bem que agora eu a protegeria, aqueceria. Mas não o fiz. Deixei-a ir como se não me afetasse, como se me bastasse toda essa distância pequena que existia entre nós. Como se este sentimento sem palavras que foi crescendo em meu peito fosse impuro diante daquela beleza e fragilidade exorbitantes.

Alguém a salvaria quando sua própria dor não o cegasse diante da dor dos outros.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Feliz Aniversário

"E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio"


Há uma semana eu já vinha me alertando da dificuldade desta tarefa. Eu já sabia o quão árdua seria desde que me propus a fazê-la e numa condição de definitivamente não poder adiá-la por ainda mais tempo, estou aqui escrevendo e digladiando-me com minha razão, que ainda insiste em ser contrária a tudo isso. Acontece que há muito os meus suspiros são direcionados a uma única pessoa; e que eu já me cansei de ficar suspirando pela penumbra de seus movimentos e de não poder protagonizar nada mais daquilo que insiste em acompanhar cada um dos meus sonhos. Pra ser mais claro, eu estou perdido e completamente apaixonado por cada defeito seu que eu ainda nem encontrei, afinal, como diz uma poesia que eu duramente tento decorar, "cego ando eu há muito por te amar".

Devo confessar que, com uma certa ajuda da distância, por um determinado tempo eu consegui esquecer uma parte de tudo isso, mas que bastaram algumas notas cantadas na companhia de um violão pra que eu trouxesse à tona tudo o que por uns dois meses eu acreditei ter esquecido. Doce ilusão, já que estou aqui de novo ouvindo músicas que me fazem lembrar você e escrevendo o que era pra ser desde o início um texto de feliz aniversário; mas parece que eu falhei neste último. O único problema de toda essa história é que eu não sei o que esperar como resposta. Quer dizer, não sei nem se devo esperar alguma coisa como resposta, afinal, tenho medo de que minha mente, sempre muito criativa, tenha apenas me implantado algumas várias impressões de você que no final das contas não são reais e então eu me pergunto: "o que fazer?" O que fazer se de repente você simplesmente me ignorar pelo resto da nossa inevitável convivência? Se você me disser que não tem como fazer nada por mim e me pedir pra esquecer - sem saber que isso eu já tentei fazer por uma centena de vezes? O que fazer se por fim você me olhar, der aquele seu meio sorriso que tanto me fez suspirar, segurar minha mão e disser que não via a hora de eu abrir o jogo pra poder finalmente me dar um abraço como aquele com que eu tanto sonhei?

Bom, quanto a esta última, basta-me dormir pra conseguir a resposta.




"E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo"

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Feel the sunlight

É engraçado como, depois de tanto tempo carregando nas costas uma carga emocional tão insuportavelmente pesada, eu me vejo agora sentado em um banco no corredor, ouvindo músicas que me trazem a mente cenas de por-do-sol na praia, e tenho meus ombros completamente relaxados. É como se por um breve momento eu conseguisse emergir de um mar que por meses me afogava a minha cabeça sem fôlego. E agora eu consigo respirar. E não só consigo respirar como me sinto respirar: e essa sensação é incrivelmente relaxante. E relaxar é exatamente o que eu estava precisando fazer.


Sinto vontade de simplesmente fechar os olhos e sentir a vida. Sentí-la como nunca antes eu me retive a fazer. Sentí-la apenas por sentir. Sem objeções, sem aversões ou oposições. Tenho vontade de deixar-me fluir. Tal qual uma certa nuvem que eu consigo observar exatamente agora, fluindo solitária; mas fluindo. Tal qual o meu sorriso que timidamente insiste em se desenhar em meu rosto mesmo sabendo que eu não gosto dele. Mas como eu disse antes, não é hora para objeções. Vou ficar, portanto, por aqui. Ou por ali, não sei. Vou observar o movimento das sobras, e ouvir o barulho do vento enquanto flui. É. Flui. Simplesmente, flui. Assim como o meu sorriso teimoso.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Descoberta do Amor

trecho do texto A Descoberta do Amor, por Thomas Victor Maciel.

[...]

Sabe quando se perde um amor? Será mesmo que sabia eu o que era perder um amor? Mas me parecia tão simples. Não, não era. Perder um amor não é como perder um pé de meia ou o caminho de casa. Bom, isso eu já sabia, mas ainda me martelava a pergunta-chave: o que era perder um amor? Recostei-me a um banco qualquer por onde estava e pus-me a pensar, a imaginar, a lembrar. A solidão bafejou suavemente em meu peito. Lembranças. Lembranças do que não tive, e ainda sob a deplorável condição de não ter, havia perdido. Era esta a pior parte. Diferente de perder o já se possui, perder o que não se possui tem um sabor extra de amargor, afinal, quem perde o que já tinha, pelo menos pôde usufruir disto, e desta forma, ser feliz em suas boas lembranças. Mas tristes aqueles que perdem o que nem mesmo chegaram a ganhar. Duas tristezas: a de deixar de conseguir e a de perder o que ganharia. Mas o que ganharia? Amor. Amor?

Sabe quando se perde um amor? 

[...]

dedicado à Tarsila Vieceli,
que conseguiu me convencer de que realmente gostou do texto : )

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A hora certa.

Dedicado a Thomas Victor, meu tommy tommy.

Eu nunca fui daquelas pessoas que procuram amizades e que fazem de tudo para ser rodeada de amigos. Também nunca me esforcei muito para manter esses amigos por perto, apesar de tudo. Acho que tenho essa mania de deixá-los decidir se ficam ou não, se fazem parte ou não da minha vida. Dificil, verdade? Não ter certeza de quem realmente te acha importante ou quem te dá o devido valor... Mas, ainda sendo uma das pessoas mais possessivas do mundo, sei que ninguém gosta de se sentir preso a ninguém sem vontade. E se sentir sufocado só provoca a distância e isso doeria mais do que os perder, ainda que eu não os tenha tido.
Como eu posso dizer ‘eu te amo’ para uma pessoa que eu não conheço? Como considerar uma pessoa tão especial, sem nem mesmo saber qual é seu sabor de sorvete preferido? Eu não sei, não me pergunte. Mas eu posso. Posso pensar nessa pessoa, posso escrever, posso sorrir, posso gastar 5463146 sms’s por dia, enchendo sua caixa de entrada... E sei que guardaria, como já o fiz, cada palavra, cada conversa e até mesmo um cartão todo fofo que me chegou pelo correio – que eu não respondi, mas que irei.
De todos, você é quem eu menos conheço, pessoalmente falando. Eu não sei o nome do seu cachorro (se é que você tem um. Gato, talvez?), nem do seu lugar preferido. Não sei se você é alérgico há algo ou se seu travesseiro preferido tem um nome especial. Não sei muito do seu gosto musical nem saberia dizer o que você tem mania de repetir. É verdade, poderia até mesmo te chamar de desconhecido. E de tudo, é o que me faz sentir o que sinto. Sentir essa saudade enorme e uma vontade de dizer “tommy tommy”. Por que eu sei que te conheço de alguma maneira. Sei que tem um pedacinho de você aqui comigo e acho que é o suficiente. Eu não preciso saber tudo, nem tanto, de você.
Eu só sei que você é importante e que contraditoriamente, só você tentaria escrever um texto com amor, sem querer demonstrar amor. Me faz sorrir.


Obrigada por todas as palavras. Dedicadas ou não para mim.
Amo muito você, tommy.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Don't lose who you are

É impressionante a dificuldade de controlar os sentimentos. E eu posso sim dizer isso porque durante toda a minha não tão longa vida tentei fazer isso. Inúmeras vezes fiz isso com sucesso, mas, quando se trata de situações - não sei se 'importantes' seria a palavra correta - mas quando se trata de algo intenso, de algo pesado, sinto dizer, não é possível. E eu cito exemplos, praqueles que não acreditam:

Quando aos 5 anos de idade, na sala de aula, um colega sentou na cadeira que eu sempre sentava e eu, frustrado sentei na cadeira de trás e sem mais forças pra nada, desabei a chorar, afinal era a minha cadeira; quando aos meus 14 anos eu ganhei de presente de aniversário um MP3 player e por mais que eu tentasse não pular de tanta felicidade, não consegui; Como quando pela primeira vez minha mãe perguntou 'você é gay?', eu teria caído se não estivesse sentado; Como quando vim pra Porto Alegre e na sala de espera antes do voo recebo uma sms do meu incontestável mais longo e melhor amigo com palavras que me fizeram perceber o quão distante eu ficaria dele depois de entrar naquele avião e, como se isso não bastasse, atendi à sua ligação pra ouvir aquele silêncio fúnebre que se instala quando alguém está se tentando desesperadamente engolir as lágrimas que lhe saem dos olhos.

Então eu me pergunto: é mesmo possível alguém controlar seus sentimentos? Agora mesmo, antes de escrever esse texto, eu estava remoendo alguns; ouvindo músicas que outrora me fizeram chorar, e que hoje me estimulam fazer o mesmo. E, por mais dualista que seja o meu comportamento, eu não estava nem um pouco disposto a sorrir. Até ver um recado deixado pra mim por uma amiga. Um certo alguém que não faz muito eu conheci e que hoje me encanta com toda a sua vivacidade. Então pus-me a ler tal recado. E então, ao som de Who You Are, interpretada pela Jessie J. eu enchi meus olhos de lágrimas ao mesmo tempo que dava o mais descontrolado sorriso que eu sou capaz de dar. Portanto eu me pergunto mais uma vez: é mesmo possível alguém controlar seus sentimentos? Estou cada vez mais convencido de que não.

texto dedicado à .Fernada Subtil, 
que consegue me fazer mais legal a cada dia

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Check-in

O problema é que ninguém me avisou que uma segunda despedida pudesse ser tão pior do que a primeira. Não que eu queira que tudo em minha vida seja premeditado, mas é que pra algumas coisas é preciso estar preparado - e por mais que eu me diga forte, eu não estava preparado pra este segundo adeus. Estou mais nervoso, mais ansioso, mais saudoso; enfim, mais emocionado. Não sei se por conta dos últimos dias que passei. Últimos maravilhosos dias que me deram um leque de emoções a sentir. Nestes último dias eu pude rir, pude me estressar, me irritar, me angustiar, me deprimir, mas tudo isso só serviu pra rechear tudo o que eu tô sentindo agora.

E é nessa mistura que sentidos e emoções que eu agradeço a quem esteve comigo. À minha família, que fez questão de me tratar como se eu nunca tivesse passado um ano fora de casa e me fez sentir a mesma pessoa normal sahusahush' - e minha esperança de ser mimado se esvaiu desde o segundo dia que voltei pra casa. E agradecer ainda, e principalmente aos meus amigos, com quem eu partilho tudo o de melhor que eu já pude um dia viver. E diferente da primeira vez, nessa minha segunda partida eu já sei o que me espera e na condição de saber o que me espera eu me desespero ainda mais. Sei que estou preparado pra chorar na hora que a saudade bater e quando me lembrar dos emoticons usados no meio das conversas faladas [ leila1 pra vocês <3 ] Sei que estou pronto pra ligar pra cada um e simplesmente dizer que amo e que sinto falta. Sei que vou poder contar com o apoio e com o abraço imaginário de conforto. Mas o que eu queria mesmo era não ter que deixá-los mais uma vez. Por que sei que além de mim, a tristeza da saudade vai chegar a cada um e eu não sei se eles estão tão preparados quanto eu. Mas por cima disso, eu só peço que riam a cada lembrança minha, porque onde quer que eu esteja eu estarei também rindo enlouquecidamente. Vou sentir ainda mais saudades de vocês, meus amigos. Cada um no seu tempo, cada um na sua intensidade, mas não esquecerei nenhum, mesmo que a minha memória extremamente seletiva se atreva a nao lembrar. Amo todos voces.

Thomas, já ansioso pela volta.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ainda.


Ando pensando em tudo. Pensando em como pude ter encontrado alguém como você. Mas não era como você, mesmo se parecendo. Não tinha o que me falta, o que você levou. Então por que eu sempre procuro? Talvez por insegurança. Medo de não encontrar alguém que me preencha novamente. Alguém que fique por perto, sem que eu tenha que fazer algo. Por que eu já me cansei, amor. Cansei-me de ter que falar, sentir, pensar... Cansei até mesmo de procurar. Se eu não procuro, não acho. Se não acho, continuo vazia... Mas e agora? E os meus medos, como ficam se me sinto tão cansada? Ainda tenho uma esperança mórbida de que me achem, de que falem e sintam, sem que eu tenha que me esforçar. E sei que o que eu quero é demasiado, mas já não tenho forças. Já não sei se me sentiria tão bem sendo o que eu era. Por você. Agora para qualquer outra pessoa... E amor, não pense que quero que você volte. Então apenas fiquei ai, onde quer que esteja. Apenas me deixe continuar respirando, por que eu não sei se vou ter força de vontade para continuar. De tentar me importar com quem merece ou mesmo me importar com quem me faz bem. Não sei se ainda posso ser reconstruída. Por isso eu só fecho os olhos e respiro. Numa tentativa forçada para dizer aos outros que estou bem, por que eu estou mesmo. Bem demais. Bem melhor do que pensei que estaria. E agora, já não me resta muito que fazer quando não farei o que é preciso, para mim. Ainda me sobra ar. Ainda me faltam pedaços. Só. Ainda...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por você.


Eu lhe disse. No começo, lhe disse que estaria sempre aqui. Por você. Não fiz escolhas incertas, não errei em ficar ou em correr atrás de você. Você errou. Não soube aproveitar tudo que tinha pra lhe dar. Eu tentei ser melhor, eu fui melhor. Por você. Eu lhe sorri, lhe contei histórias e consegui lhe deixar feliz, ao menos na maioria das vezes. Não fiz tudo certo também, mas melhores amigos também erram verdade? Eu concertei meus erros. Por você. Por mim. Você continua errando e não se importando. Sinceramente? Você é a melhor pessoa. A pessoa mais maravilhosa do meu mundo. E disse que sempre correria atrás de você, por que eu te amo. Minha vida sem você é o que? Um nada? Clichê. Minha vida sem você seria a mesma coisa. Talvez mais vazia do que costuma ser... Mas eu não sou de desistir, sabe. Não sou de insistir também, mas eu tenho muito de orgulho e de determinação aqui. Por isso me calo. Fiz minha parte e agora é sua vez. Vai se agarrar a essa chance? Vai ser você, a pessoa que segurará o outro lado da corda? Eu posso ser a pessoa mais fria do mundo, a que não importa muito, a que - às vezes - lhe dá o pior lado dela, mas essa pessoa ainda tem sua cota de sorrisos e esperança. Se você decidir parar de errar e correr atrás agora, se eu for tão importante para você, como você é para mim, ainda posso começar a ser ainda melhor. Por você. E por todos esses anos que lhe confiei e em que lhe feri com todas aquelas palavras sinceras, quando você precisava ouvir uma mentira para se sentir bem. Por que a verdade nem sempre vale à pena, não é? Se eu não lhe conhecesse tanto, eu até poderia acreditar em todas as vezes que me disse que estava bem, mas você vê? Apesar da ausência de palavras, sempre lhe conheci verdadeiramente. Como ninguém. E eu não sinto raiva ou ódio. Não estou nem mesmo magoada com você. Só espero que saiba o que fazer, pois eu não vou mais lhe gritar. Não vou dizer que estou respirando ou que eu sinto sua falta. Mesmo sentindo e morrendo aos poucos sem os pedaços de você. Eu vou ser inerte. Sólida. Sem rachaduras ou comportamentos exagerados. Você já sabe que eu não preciso me importar. E eu não quero me importar. Só seja o que eu conheci. Só seja o que eu sempre esperei que você fosse. Por você, não por mim. Não por nós.

Sempre será meu melhor amigo. Do passado, presente e - se você quiser -  do futuro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Be Happy

Ele tinha acabado de erguer-se de sua cama quando olhou pro relógio apoiado na parede a sua frente; e ao ver que estava alguns minutos atrasado, vestiu-se com a velocidade da luz. Tinha dormido tão pouco quanto um ser poderia aguentar e em sua barriga roncava uma pontada de fome. Vestiu o casaco, sacou as chaves do bolso, colocou nos ouvidos seus novos fones e saiu pra rua. O vento gelado açoitou-lhe o rosto abatido pela noite mal dormida e ele sorriu. Era uma sensação boa, afinal. Pensou em como seria o seu dia e logo fez uma careta que o traduzia com perfeição: um saco. E então atravessou a rua. E então a musica que ouvia foi substituída por outra. E então, como fez antes ao sentir o vento frio em seu rosto, ele sorriu desmedidamente. E então ele soube que o dia não seria a mesma chateação de sempre. Não por que algo mudaria ou porque encontraria na próxima esquina a sua mais nova razão de viver. Seu dia não seria o mesmo porque ele decidiria assim ser. Porque antes que algo pudesse interferir, ele bateria os pés e diria não. Estava cansado da mesmice que era obrigado a conviver, estava cansado de fazer tudo da como todos queriam que ele fizesse. Naquele dia, ele simplesmente não se importou.

Seguiu então com passadas firmes e seguras: cheias de si. Nos ouvidos, as músicas passavam cada vez mais animadas e o seu sorriso deixara então de ser um segredo. Atraiu alguns poucos olhares; estava especialmente bonito naquele dia, e como se isso não bastasse, emanava de si uma certa luz, um certo calor. E quanto mais andava, mais ele ria. E era de uma tamanha naturalidade, que era impossível não sorrir junto. Se atreveu até a vacilar em alguns tímidos passos de dança de acordo com o que ouvia. E assim seguiu até seu destino que, em sua cabeça, ainda demoraria um pouco para chegar. Em sua cabeça. E se outrora chamara atenção pelo sorriso que exibia, milhares de cabeças viraram-se pra ver a sua cara de horror quando não notou a aproximação do carro que ultrapassara o sinal vermelho e colidira com ele com uma força inimaginável que arrancou suspiros e prendeu a respiração de todos os que ali estavam. Inclusive a sua. Principalmente a sua. Sempre prendia a respiração no início daquela música. Era a sua preferida. E num último movimento, ele sorriu - foi então feliz.

texto dedicado ao .Eduardo Poulain, 
que me fez perceber quem eu devo ser no fim das contas

Feliz Aniversário ;*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Let me try again

Já não consigo mais. Não sozinho. Logo eu, que por tanto tempo resisti, que me convenci que não precisaria de ajuda, que conseguiria assim, desse jeito, sozinho. Agora vejo que não é bem assim que funciona, e por não ter o costume te ter a tal ajuda, estou jogado à boa vontade do destino. Eu só espero que ele seja bom comigo e que nas suas intenções estejam incluídos os meus desejos e que no final de tudo eu possa, de fato, olhar pra trás e dar uma risada de satisfação - e de alívio, claro. Preciso encontrar um jeito de desfazer o que levei a vida inteira moldando. Preciso mudar algumas atitudes e rever alguns conceitos. Preciso me arriscar mais e de forma responsável - mais ou menos aquela coisa do medo de tentar. Preciso me abrir mais, me entregar mais às pessoas, e quem sabe dessa forma elas façam o mesmo comigo e eu possa ajudá-las. E eu possa ser ajudado. É difícil descobrir que preciso de ajuda e não fazer a menor idéia de como posso conseguí-la. Isso porque eu vivo agora um mundo novo. Um mundo no qual cada passo pode me levar direto pro fundo de um abismo; abismos são escuros e eu gosto demais do frio pra gostar também do escuro. Queria poder gritar à plenos pulmões que no no fundo do meu abismo tem uma mola, mas é um mundo novo, afinal; nem mesmo do meu próprio abismo eu sei o conteúdo.

Mas eu espero que as coisas mudem. Se estou pronto pra esse novo que eu tanto desejo, eu já não sei, mas me cansei do novo que vivo agora. Preciso de um novo mais novo. Sempre fui assim, porque mudaria agora? Não seria má idéia um novo lugar onde ninguém me conhecesse. Onde eu poderia construir um novo eu, um novo Thomas. Um outro novo Thomas, porque o que eu construi esse ano, apesar de bem arquitetado, está cheio de problemas que foram sendo deixados e sendo levados. Pois que eu mude. E que dessa vez eu consiga mudar praquilo que eu desejo ser, de fato. Praquilo que eu preciso ser. Acredito que assim tudo ficará melhor. Meu mundo ficará melhor. E definitivamente eu ficarei melhor. Mas pra isso, preciso descansar. Preciso do abraço dos meus amigos, do conforto da minha família e quem sabe do dedicação de novos amores. Que venham, pois, as férias.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Devidademente duvidosa.

Sabe o que? Não tenho mais certeza. De nada. Nem mesmo de ninguém. Eu vivo e até mesmo sorrio. Desesperadamente. Numa tentativa frustrada de poder afirmar alguma coisa. Eu amo, odeio, não quero mais... Não preciso mais. Mas ai eu penso em nós. Aliás, no nosso ex-nós. E me perco. Sempre me perco procurando o que nos destruiu, o que nos guiou por futuros diferentes. Pessoas diferentes. E amor, não dói mais. Não se culpe. Não sofro. Não choro. Nem ao menos penso. Passou. Ainda me perco. Ainda procuro. Mas só. Só o suficiente. Só o que não me machuca. O que não vai matar o que me sobrou de bom. Curado. E eu continuo sorrindo. Lembrando. Agarrando ao que me faz vibrar. Gritar. Continuo amando. Querendo encontrar o que me ama. O que me faz querer amar. Cuidar. E eu preciso, amor. Preciso desse nosso passado. De tudo aquilo que nos envolveu. Que nos fez parar e gritar ao mundo: Não podemos mais. Não queremos mais. Precisamos continuar amando. Agora, outras pessoas. Pessoas que não nos fazem somente felizes, mas pessoas que nos fazem mal e que vivem se arrependendo. Se desculpando. Somente por amor. Por tudo aquilo que nos fez dizer aquelas três palavras proibidas. Dolorosas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

The last paper I'm wasting on you

Então porque você não me deixa te amar de vez? Não aguento mais esse teu olhar choroso, pedinte de carinho enquanto eu, aqui, transbordo amor pra dar. E todo esse amor não é pra mais ninguém senão a ti. Mas e daí? Quem se importa, não é mesmo? Sou só mais um alguém procurando a tão sonhada reciprocidade. E você, com a voz da decisão, fica aí se escondendo sabe-se lá do quê enquanto todos sabem o que você quer. Enquanto nós dois sabemos o que você quer. Afinal, você tem certeza do que quer?

Eu só queria poder dizer com a mesma liberdade e naturalidade com que se dá oi, eu te amo. Agora responda-me, estou pedindo tanto assim? É tão duro assim dar o braço a torcer e aceitar? Afinal, é isso o que você também quer, não é? Não é?! Porque não poupa as minhas lágrimas e me abraça de vez? Porque não poupa minhas feridas e me beija como nunca mais fará na vida? Porque simplesmente não me ama?

Quer saber? Não importa. Ou melhor, não se importe você. Sou apenas eu. E eu não sinto nada muito mais forte do que amor. Simples, puro, cadente e magnífico amor. Mas ainda bem que ele rima com dor; me fará escrever  mais e melhor  da próxima vez.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Último Romântico

Ei, escuta
Já é hora, ouve
Ouve o silêncio
É agora.

Os lábios ainda estavam selados. Não havia um pingo de movimento na cena. Fixos. Até o tempo receava em se mover. Ambos era pura tensão. Um nervoso frio e rápido lhe subiu pela espinha e uma tentativa frustrada de fala foi abafada. A sua frente, um olhar de espectativa se criara. Só esperava as palavras. Mal sabia, porém, que aquele não era momento para palavras

Traduza meu olhar
Ele fala por mim, vamos, traduza
Veja o que eu tento lhe dizer
O que há tanto tempo eu tento lhe dizer

Era como se seus olhos gritassem exasperados. Aja, aja, aja! Estou aqui, por fim, aja! Contudo, nada acontecia. Ou melhor, muita coisa acontecia: as duas cabeças fervilhavam. Idéias, dúvidas, vontades, receios, planos. Estavam tão perto. Bastava um meio passo. O meio passo que os separava. Um meio penhasco os separava. Então, os olhares que fixos se cruzavam desde o início, se desviaram. E dessa forma, o outro lado do penhasco deu as costas. Então não havia mais penhasco. Eu te amo! Ditas em alto e bom som, as palavras causaram certo arrepio. E então não havia mais selo nos lábios.

Ouviu o silêncio?
Eu avisei, eu avisei. Agora ele já passou
Agora vê. Vamos, veja
É assim que começam as histórias de amor

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Última canção de amor.



 Eu estava disposta em seguir em frente e não me apegar tanto ao passado. Você me fez pensar em um futuro, não tão distante e a gostar disso. Eu me tornei – relativamente – mais disposta a viver e aceitar o mundo como ele sempre foi. Ferindo-me, me divertindo e até lembrando momentos ruins com um sorriso nos lábios. Eu te amava e tudo ficaria bem. Assim como você repetia todo tempo. Pequenas bobagens, não é?

 Quando você se foi para outro país, para o mais longe possível, dizendo querer me salvar, não te culpei, não quis te guardar em mim. Pois eu escolhi seguir em frente. Sem você. Mas aquilo que senti e que sinto nunca me deixou e eu vivi com todo esse sentimento, de amor e de perda, dentro de mim. E o que mais machuca amor, é que agora você se foi pra algum lugar onde não posso te trazer de volta. Não posso mais me agarrar à esperança ou nesse amor que ainda ouso sentir.

 Não vou mais te sentir de longe, não vou mais seguir sem você. Você não vai mais continuar. Nem sozinho nem mesmo comigo. Peguei o que existia de nós e guardei, como um pedacinho de papel dentro de um caixa enorme. Sozinho. Lá dentro do meu coração. Antes despedaçado, agora destruído. Sem concerto algum. E ainda não te culpo por ter me deixado antes, nem por ter deixado agora, levado pela morte, pois eu sei que morreria de amor. Sei que você não poderia me salvar, quando eu não queria ser salva. Só me resta aceitar os fatos. Eu não tenho mais você.

Para o projeto Bloìnquês.